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São Justino, filósofo e mártir

São Justino, filósofo, teólogo e mártir

Hoje é 1º de junho, dia em que a Igreja Católica Apostólica Romana escolheu para a festa de São Justino, filósofo, teólogo e mártir. Este santo da Igreja sonhava em ver Deus face a face.

Conseguir conhecer a Deus face a face é possível, mas esta pessoa, como São Justino, de mente aguda e alma sensível, teve que partir de longe, como pagão. Ele viveu na Samaria, no século I d.C., e cresceu nutrindo-se de filosofia. Os mestres do pensamento grego foram aquela luz que acompanhou o Santo na sua busca do Ser infinito, que seduz pelo conhecimento e que, se pudesse, chegaria perto e até o explicaria com a força da racionalidade.

Decepcionado com as filosofias

A “visão de Deus”, para Justino, é a finalidade da filosofia. Mas, qual corrente de pensamento é capaz de chegar pelo menos perto? O samaritano de Flávia Neópolis, sua cidade natal, bateu à porta de estoicos e pitagóricos. Porém, ninguém soube oferecer-lhe um meio para atingir aquela sua meta tão ambiciosa. O coração de Justino aqueceu-se um pouco mais ao encontrar um pensador platônico. E, decidido a prosseguir nesta busca, distante do barulho das cidades, escreveu: “O conhecimento das realidades integradas e a contemplação das ideias excitavam a minha mente...”.

Pode falar de Deus quem o conhece

No lugar retirado que escolheu, - descreve em seu “Diálogo com Trifão”, - encontrou uma pessoa idosa com quem discutiu sobre a pessoa de Deus. Porém, o esforço de se chegar a uma definição perfeita viola o obstáculo de uma consideração: se um filósofo, - observa o idoso, - nunca viu nem ouviu a voz de Deus, como pode ter, sozinho, uma ideia sobre Ele? Então, o diálogo prossegue em direção aos Profetas: falaram de Deus, durante séculos, e profetizaram, em seu nome, sobre a vinda do Filho de Deus ao mundo. Eis a reviravolta da sua vida: Justino converteu-se ao cristianismo e, por volta do ano 130, em Éfeso, recebeu o Batismo.

O gênio a serviço do Evangelho

Com o passar do tempo, Justino se desloca para Roma, onde funda uma escola filosófica, e se torna um anunciador incansável de Cristo entre os estudiosos pagãos. Escreve e fala de Deus que, finalmente, conseguiu conhecer, mediante a categoria e a linguagem dos filósofos. Utilizou, sobretudo, sua inteligência e habilidade dialética em defesa dos cristãos perseguidos, como demonstram as suas duas “Apologias”. Justino ataca, de modo particular, os caluniadores da sua profissão, mas o confronto em público com o filósofo Crescente, - anticristão férreo, apoiado pelo poder, - foi fatal. Justino foi preso, por ironia do destino, como “ateu”, isto é, como subversor e inimigo do Estado. Assim, foi decapitado, com outros seis companheiros, por volta de 165, sob o império de Marco Aurélio.

Inesquecível por mais de dois mil anos

A fama do missionário-filósofo, do qual se deve a mais antiga descrição da liturgia eucarística, torna-se eterna. Inclusive o Concílio Vaticano II citou seu ensino em dois grandes documentos: a “Lumen gentium” e a “Gaudium et spes”. Para Justino, o cristianismo é a manifestação histórica e pessoal do Logos na sua totalidade. Por isso, afirmou: “Tudo o que de bom foi dito, por qualquer um, pertence a nós, cristãos”.

Créditos: Vaticano

Verdades de fé e sua compreensão pela razão humana

   "Aqueles que aceitam pela fé as verdades que estão fora da experiência humana não creem levianamente, como aqueles que, segundo São Pedro, seguem fábulas engenhosas  (2 Pd 1, 16).
   A própria sabedoria divina, ela mesma -- que conhece tudo perfeitamente -- dignou-se revelar aos homens os seus segredos, mostrando-lhes a sua presença, a verdade da sua doutrina, e inspirando-os com testemunhos condizentes."

— Santo Tomás de Aquino (SCG., I, VI, 1-2).

Idem velle, et idem nolle

Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico
“São Tomás de Aquino definia a amizade como querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas. Você só é amigo das pessoas que estão indo para o mesmo lugar, que têm os mesmos valores que você; os outros, ainda que sejam seus parentes, ainda que seja a sua mulher, seu pai, sua mãe ou seu filho, não são seus amigos, mas apenas pessoas conhecidas. Com essas pessoas, a atitude que você tem de ter é de caridade. Qual é a caridade que você pode ter com elas? Ensiná-las.

Se você ainda tem medo delas, e não está preparado para ensiná-las, fuja. Fique na solidão, se prepare, e quando você estiver fortinho volta lá, ativamente, com paciência, mas com firmeza. Nunca aceite a convivência nesses termos; nunca aceite a convivência mediocrizante, que vai te rebaixar, porque isso é o que a Bíblia chama de ‘roda dos escarnecedores’, e você não pode ter nada que ver com essa gente. Veja que se afastar das pessoas não quer dizer que você as odeie e não tenha amor por elas."

– Olavo de Carvalho, trecho do Curso Online de Filosofia. Uma dica básica preciosa para os que querem enveredar pela busca de verdade.

“Idem velle, idem nolle”: amigo é o sujeito que quer a mesma coisa que você e rejeita a mesma coisa que você.

Ora, já dizia Santo Tomás de Aquino: “Ubi vera amicitia est, ibi idem velle, et idem nolle, tanto dulcius, quanto sincerius. (Onde está a verdadeira amizade, aí está o mesmo querer e o mesmo não querer, tanto mais agradável, quanto mais sincero), em Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae I.42.3.




Filosofia oculta de Santo Tomás de Aquino

Santo Tomás de Aquino
Santo Tomás de Aquino é indubitavelmente o maior teólogo da Igreja, e por isso mesmo, recebeu os títulos de Doutor Angélico, Doutor Comum, Doutor Universal. Embora sendo uma eminência teológica, esta não ofuscou a sua excelência filosófica. Muitas vezes a sua sabedoria filosófica é esquecida, pois é citado quase sempre, como emérito e incomparável teólogo, ficando oculta, a sua grandeza filosófica. Entretanto, as XXIV Teses escritas por ele, e denominadas de “Teses Tomistas” , são lembradas justamente para revelar a autêntica filosofia de Santo Tomás. E tanto é assim, que a filosofia do grande mestre e teólogo marcou um espaço definido, sendo considerada como uma legítima filosofia, denominada de “filosofia aristotélico-tomista”. Como afirmam os grandes Mestres, não se pode deixar de reconhecer que Tomás de Aquino seguiu as trilhas de Aristóteles, mas ele reformulou de tal modo e com tal sabedoria os ensinamentos do sábio grego, que arquitetou outra filosofia, a sua própria filosofia.

Basta considerar como ele com discernimento, soube introduzir naquela filosofia, os conceitos da criação das coisas por Deus, da temporalidade da matéria-prima, e também do próprio ser, conduzindo as idéias até as últimas consequências, bem mais distante do que aquilo que o Filósofo Grego apenas esboçara. É uma filosofia realista.

   O Tomismo parte da realidade das coisas, não de idéias imaginadas, e delas, conclui todo um sistema coordenado por teses. Em outras palavras: o Tomismo se originou da percepção sensível do mundo, e depois tirou dela, no plano abstrativo da inteligência, um conjunto harmonioso de teses. O Papa Leão XIII, na Encíclica "Aeterni Patris”, descreve a filosofia de Santo Tomás de Aquino:

“O Doutor Angélico buscou as conclusões filosóficas nas razões principais das coisas, que têm grandíssima extensão e conserva em seu seio o germe de quase infinitas verdades, para serem desenvolvidas em tempo oportuno e com imensa quantidade de frutos pelos mestres dos tempos posteriores”.

 “As razões principais das coisas”, é o ponto de partida da Filosofia Tomista. Das coisas que existem, percebidas pelos sentidos humanos, depois de conceituadas e analisadas pela inteligência, Tomás de Aquino eleva as considerações até as explicações últimas das mesmas. E é subindo das percepções mais primitivas das coisas, que Santo Tomás de Aquino chega à certeza do Supremo Criador de todas as coisas. Caminhando pelas mudanças das coisas, da causalidade existente entre elas, da contingência, das perfeições, e da ordem harmoniosa das mesmas, ele caminhando por cinco vias, atinge a sublimidade, a suma perfeição, a existência de DEUS.

   Santo Tomás de Aquino afirmava, que a verdade não tem dono, pertence a todos, é de todos, e acrescentava que: “toda verdade, dita por quem quer que seja, vem do ESPÍRITO SANTO”, e diante das diversas opiniões dos filósofos, ele dizia: “não olhes por quem são ditas, mas o que dizem”.

   O Papa Paulo VI com felicidade descreveu a filosofia Tomista como aquela que abrange o Ser “Tanto no seu valor universal, como nas suas condições essenciais”. Ao que o Papa João Paulo II acrescentou dizendo em belos termos que: “esta filosofia poderia ser chamada filosofia da proclamação do Ser, um autêntico canto em honra daquilo que existe”.

Três Papas declararam que “A Igreja fez sua, a doutrina de Santo Tomás de Aquino”.

   Por outro lado, como é compreensível, Tomás de Aquino não elaborou sozinho a sua filosofia, não a construiu extraída da sua genial inteligência, mas recebeu contribuição dos helênicos Platão e Aristóteles, dos israelitas Avicebron e Maimônides, dos árabes Avicena e Averróis, dos Padres da Igreja, sobretudo de Santo Agostinho, da metafísica implícita na Revelação, as quais estudou profundamente, e com o seu agudíssimo espírito iluminado pela Luz de DEUS, uniu a herança recebida de seus predecessores às suas contribuições pessoais, formulando a sua admirável Filosofia Tomista. A essência deste Realismo está condensada nas XXIV Teses Tomistas.

   Pode ainda surgir à pergunta, por terem sido As XXIV Teses formuladas pela Igreja e por ela propostas, se a uma pessoa que confesse outro credo religioso diferente do católico, lhe serão aceitáveis as XXIV Teses de Santo Tomás de Aquino? Evidentemente teremos uma resposta positiva, porque essas teses limitam-se ao campo da filosofia formulada pela razão natural. Ademais, as que se referem à temporalidade do mundo, à imortalidade da alma, á dualidade corpo e alma, à doutrina da criação, embora sejam afirmadas na Revelação, poderão ser descobertas pela própria razão natural. As Teses se limitam, às filosofias que prescindem da teologia e das verdades religiosas, dos mistérios e dogmas da fé.

O Primeiro escrito

Santo Tomás de Aquino escreveu entre os anos de 1252 a 1253, quando ainda era jovem, um opúsculo: "O Ente e a Essência”. Nele, aborda questões metafísicas, explicando o percurso da consciência humana entre a sensação e a concepção. Ele afirmava: aquilo que cai imediatamente no alcance do saber humano é composto. O homem se eleva do composto ao simples, do posterior ao anterior. A essência existe no intelecto. A substância composta é matéria e forma. A forma e a matéria, quando tomadas em si, isoladamente, sem a preocupação do entendimento racional, são incognoscíveis, ou seja, não podem ser conhecidas, mas existem caminhos para a investigação das possibilidades. O intelecto quando está isento de pensamentos materiais, revela que nada pode ser mais perfeito do que aquilo que confere o ser humano. Tomás de Aquino é famoso por ter cristianizado Aristóteles, à semelhança do que fez Agostinho com Platão, ele transformou o pensamento daquele sábio num padrão aceitável pela Igreja Católica. Isto, apesar de Aristóteles não ter conhecido a revelação cristã, e de ser a sua obra original, autônoma e independente de dogmas, ela está em harmonia com o saber contido na Sagrada Escritura.

Tomás de Aquino afirmava que podemos conhecer DEUS pelos seus efeitos, porque ELE , o SENHOR, é o último numa escala evolutiva, e a causa de todas as coisas. Antes de DEUS vêm os Anjos, e antes desses, os homens. Ele comenta o gênero e a espécie, que pertencem à essência, pois “o todo” está no indivíduo. A essência tem dois modos, um modo dela própria, e o outro, nada é verdadeiramente dela, senão o que lhe cabe como ela própria. Por exemplo o homem, por ser homem, será sempre racional (isto é próprio do homem e de todos os seres humanos). Mas o branco e o preto não são noções exclusivas da humanidade, não são verdadeiramente dos humanos. (Isto porque, existem muitas raças e não somente homens brancos e pretos). A diferença da essência da substância compostas e simples é que a composta tem forma e matéria, e a simples é apenas forma. A inteligência possui potência e ato. Santo Tomás de Aquino afirma que a essência de DEUS é o seu próprio Ser.

Suas obras teológicas têm muitos aspectos filosóficos. Por exemplo, recordemos a sua clássica afirmação, de que o homem possui uma capacidade, concedida por DEUS, de distinguir naturalmente o certo e o errado. Ele não tinha uma visão muito positiva da mulher, como Aristóteles, que dizia ser o homem mais ativo, criativo e doador de energia vital na concepção, enquanto a mulher é receptora e passiva. Mas aceitava a idéia do filósofo grego, acreditando que aqueles dizeres estavam de acordo com o que estava na Bíblia, no versículo do Gênesis, o qual afirma que a mulher derivou de uma costela do homem. Por outro lado, as Sagradas Escrituras ensinam como viver segundo a vontade de DEUS, e dela, Tomás de Aquino exauriu os seus argumentos sobre a vida moral. Ele com inteligência e discernimento demonstra que não há conflito entre a fé e a razão. O conhecimento verdadeiro é uma adição que se acresce a inteligência para o objeto (que se estuda) ser bem compreendido. Apesar de DEUS ser a causa de tudo, ELE não age diretamente nos fatos (nos acontecimentos) de sua criação. Mas a Providência Divina existe e governa o mundo, pois ELE, o SENHOR, é absoluto e necessário a vida. Sem ELE, o mundo é vazio e a existência é efêmera. A felicidade do homem só pode ser encontrada NELE, na contemplação da Verdade e seguindo o Divino caminho.

A memória nasce pelo acúmulo de lembranças, e a lembrança nasce da experiência. Mas o homem se eleva ao raciocínio e produz a arte. A filosofia é um conhecimento das causas dos fenômenos. Assim a filosofia deve considerar o senso comum e tem um aspecto coincidente com a teologia: seu saber provém da Sabedoria Divina. A Sabedoria Divina deve ser cultivada através da fé, dizia Tomás de Aquino, e isso é comum entre os teólogos. Ele distingue na natureza o ser real e o ser da razão. O ser real existe independente de qualquer consideração da razão. O ser da razão é aquele que apesar de existir em representação, não pode ser independente do pensamento de quem o concebe. Assim a lógica humana só existe no conceito, e não na realidade. Por outro lado, a alma é imortal, pois é imaterial, e tudo que é imaterial é imortal.

Na "Suma contra os Gentios” (os Gentios eram os pagãos e os maometanos), ele faz uma exposição completa da religião católica, identificando a verdade que existe nela. Essa Suma trata de DEUS e de Suas Obras, da fé no Mistério da Santíssima Trindade, da Encarnação, dos Sacramentos e da Vida Eterna. DEUS é a verdade pura, sem falsidade, Vontade que existe em SI e para SI, e neste processo estende a Sua Divina Vontade para o que não é a Sua Essência. O que não é a Essência Divina, são as coisas criadas por DEUS, pois DEUS é tudo. Não tem ódio, não quer o mal, e suas entranhas dão Vida a um Amor Absoluto e Eterno, vibrante, caloroso e indestrutível.

Provas da existência de Deus



Na "Suma Teológica”, que é a sua obra mais importante, ele estabelece as relações entre a ciência e a fé, e entre a filosofia e a teologia. Originando da revelação, a teologia é a ciência suprema, da qual a filosofia é serva ou auxiliar. À filosofia se desenvolve de conformidade com a razão, e por isso mesmo, lhe cabe demonstrar a existência e a natureza de DEUS.

Ele afirma que não podemos ter de DEUS, uma idéia clara e absolutamente distinta, porque nada existe na inteligência, que antes tenha estado nos sentidos humanos. Por exemplo, se sentimos a presença de uma pequena pomba, que nossos olhos vêem, nosso raciocínio recebe aquela informação dos sentidos e compreende que estamos vendo uma pequena pomba.

Assim, para provar a existência de DEUS, ele procede a “posteriori”, partindo não da idéia de DEUS, mas dos efeitos por ele produzidos, formulando cinco argumentos, ou seja, propondo cinco vias:

1) O movimento existe e é uma evidência para os nossos sentidos; ora, tudo o que se move é acionado por um motor; se esse motor, por sua vez, é movido, precisará de uma força para impulsioná-lo, e, assim, indefinidamente, o que é impossível concebermos, se não houver um primeiro motor ou uma força geradora, que movimente aquele primeiro motor. E esta “força” existe, é a Vontade de DEUS.

2) Há uma série de diferentes causas que produzem variados efeitos, ao mesmo tempo; ora, não é possível produzir indefinidamente uma série de causas; logo, terá que haver uma causa primeira, não causada pelo homem, e que portanto,  provêm da força de DEUS.

3) Todos os seres são finitos e contingentes, pois não têm em si próprios a razão de sua existência - são e deixam de ser; ora, se são todos contingentes, em determinado tempo deixariam todos de ser e assim, nada existiria, o mundo ficaria vazio, o que é um absurdo; logo, os seres contingentes implicam na existência do ser necessário, que é DEUS, que tudo providencia.

4) Os seres finitos alcançam todos os determinados graus de perfeição, mas nenhum é a perfeição absoluta; logo, há um ser sumamente perfeito, causa de todas as perfeições, que é DEUS.

5) A ordem do mundo implica em que os seres tendam todos para um fim, não em virtude de um acaso, mas da inteligência que os dirige; logo, há um ser inteligente que os dirige; logo, há um ser inteligente que ordena a natureza e a encaminha para seu fim; esse ser inteligente é DEUS.

Complemento Racional: No mar e nos rios, existe uma quantidade notável de diferentes espécies de peixes, que se reproduzem por sua própria natureza. Como surgiram os primeiros peixes, aqueles que colocaram os primeiros ovos para que nascessem todos os outros na sequência da vida? Foi a Vontade Magnânima e Amorosa de Um DEUS Poderoso e Eterno quem colocou os primeiros peixes no rio e no mar.

Homem, alma e conhecimento

Para Tomás de Aquino, o homem é corpo e alma inteligente, incorpórea (ou imaterial), e se encontra, no universo, entre os Anjos e os animais. Princípio vital, a alma é a parte do corpo organizado que tem a vida em plenitude.

Contestando o platonismo e a tese das idéias inatas, Tomás de Aquino observa que se a alma tivesse de todas as coisas um conhecimento inato, não poderia esquecê-lo, e, sendo natural que esteja unida a um corpo, não se explica porque seja o corpo a causa desse esquecimento.

Para Tomás de Aquino, conhecer não é se lembrar, como pretendia Platão, mas extrair, por meio do intelecto, a forma e o conhecimento que se acha contida nos objetos sensíveis e particulares. Do conhecimento depende o apetite, ou o estimulo e desejo, a natural inclinação da alma pelo bem.

O homem, só pode desejar o que conhece, razão pela qual há duas espécies de apetites ou desejos: os sensíveis e os intelectuais. Os primeiros, são relativos aos objetos sensíveis, e produz as paixões, cuja raiz é o amor. Os segundos ou intelectuais, produzem a vontade, apetite da alma em relação a um bem que lhe é apresentado pela inteligência como tal.

Seguindo Aristóteles, Santo Tomás de Aquino diz que: "para o homem, o bem supremo é a felicidade, que não consiste na riqueza, nem nas honrarias, nem no poder, e nem em nenhum bem criado, mas na contemplação do absoluto, ou na visão da essência Divina, realizável somente na outra vida, e com a graça de DEUS, pois excede as forças humanas".

Dom Odilão Moura O.S.B

Santo Tomás de Aquino - 28 de Janeiro

Santo Tomás de Aquino - 28 de Janeiro
   Embora o Magistério lhe atribua, por sua inigualável contribuição à teologia, o título de "Doutor Angélico", Santo Tomás de Aquino vem caindo no esquecimento ano após ano.

   Mas qual é a verdadeira posição da Igreja em relação à teologia tomista? A doutrina do Aquinate estaria porventura ultrapassada? Continue lendo: https://goo.gl/T5lngB 

A Doutrina Aristotélica do Belo e da Arte segundo Frederick Copleston

Aristóteles ensinando Alexandre, o Grande gravura de Charles Laplante
Platão censurava a arte precisamente por ser mímesis, ou seja, imitação de coisas fenomênicas, as quais, por seu turno, segundo este mesmo filósofo, são imitações do paradigma das Ideias eternas. Desse modo, a arte torna-se cópia de cópia, aparência de aparência, em que por certo há de desaparecer o verdadeiro.

Opõe-se Aristóteles, claramente, a tal modo de entender a arte. Acompanhemos-lhe o pensamento. 

I. A BELEZA SEGUNDO ARISTÓTELES

• Para o Estagirita, o belo não se confunde com o meramente agradável, razão por que, nos Problemas,[2] contrapõe a atração sexual à seleção estética — não há confundir a “beleza” que só atinge o desejo com a beleza real e objetiva. Mais: na Metafísica[3] chega a dizer que as matemáticas têm certa relação com a beleza, o que afasta totalmente do campo do belo o que simplesmente estimula os sentidos.

• Quanto, porém, à distinção entre o belo e o bem, Aristóteles não prima pela univocidade. 
Na Retórica,[4] por exemplo, afirma que “belo é o bem que agrada porque é bom”, o que certamente é uma tautologia. 

Na Metafísica,[5] todavia, diz claramente que “o bom e o belo se diferenciam (porque o primeiro implica sempre alguma ação, ao passo que o segundo se encontra igualmente nas coisas imóveis)”. Ora, tal distinção funda uma diferença entre o belo e o moral, e, diz Frederick Copleston, “pode interpretar-se no sentido de que o belo, como tal, não é simplesmente objeto de desejo. Isto daria ensejo a conceber uma doutrina da contemplação estética e do desinteressado de tal contemplação — como a que conceberam, por exemplo, Kant e Schopenhauer”.[6]

• Por outro lado, na mesma Metafísica[7] lemos que “as principais formas da beleza são a ordem, a simetria e a delimitação”, sendo a posse destas três propriedades pela matemática o que lhe confere certo poder cognoscitivo com relação aos objetos belos.[8]

De modo parecido, diz Aristóteles na Poética[9] que “a beleza é questão de tamanho e ordem”: para que uma criatura viva seja bela, suas partes hão de encontrar-se em certa ordem e hão de ter determinado tamanho, e ela não há de ser demasiado grande nem demasiado pequena. 
Tudo isso reforçaria a definição de que o belo é objeto de contemplação, não de desejo.
• Observe-se, ainda, que na Poética[10] o Estagirita indica como matéria da comédia o ridículo, “que é uma variedade do feio”, “um erro ou uma deformidade que não acarreta dor ou dano a outros”. Assim, desde que subordinado ao efeito de conjunto, tem o feio lugar na obra de arte. Aristóteles, no entanto, não estuda expressamente as relações entre o feio e o belo nem se pergunta até que ponto pode aquele ser elemento constitutivo deste.[11]

Fora da Igreja não há salvação

Nestes tempos de sincretismo religioso, muito se tem falado sobre liberdade religiosa, de culto, de crença, de salvação fora da Igreja. É o ecumenismo, palavra dita em todos os lugares. Mas, vejamos o que a Igreja Católica tem a dizer sobre isso, por meio de seu magistério infalível. Porque muito se tem falado, mas pouco se tem estudado.

Como evitar uma morte violenta

   Na tradução da Bíblia de Jerusalém, o primeiro papa, o apóstolo São Pedro, diz aos jovens: "Sede sóbrios e vigilantes! Eis que o vosso adversário, o diabo, vos rodeia como leão a rugir, procurando a quem devorar [através da morte violenta]" (1 Pedro 5,8). Já o apóstolo São Paulo, a respeito das imoralidades sexuais, diz com mais radicalidade: "...entreguemos tal homem a Satanás para a perda da sua carne [através da morte violenta], a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor" (1 Coríntios 5, 5). E, para Timóteo ele dar instruções e conta o que fez com aqueles que negaram a fé, como foi o caso de Himeneu e Alexandre: "...entreguei a Satanás, a fim de que aprendam a não mais blasfemar" (1 Timóteo 1,20).

   O Evangelho de São Lucas narra que vieram algumas pessoas indagar Jesus sobre as mortes violentas que acometeu alguns galileus, o Senhor respondeu: "...Acreditais que, por terem sofrido tal sorte [morte violenta], esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Não, eu vos digo; todavia, se não vos arrependeres [através de uma conversão verdadeira, que só existe através da Igreja Católica Apostólica Romana], perecereis [de morte violenta] todos do mesmo modo. Ou os dezoito que a torre de Siloé matou em sua queda [penso que ficaram todos esmagados], julgais que a sua culpa tenha sido maior do que a de todos os habitantes de Jerusalém? Não, eu vos digo; mas, se não vos arrependeres, perecereis todos de modo semelhantes" (São Lucas 13, 2-5).

   Já dizia São Tomás de Vilanova: “Se a morte acha o homem dormindo, vem como ladrão, despoja-o, mata-o e o lança no abismo do inferno; mas, se o encontra vigilante, saúda-o como enviada de Deus, dizendo: O Senhor te espera para as bodas; vem, que te conduzirei ao reino bem-aventurado a que aspirais". A Bíblia de Gênesis à Apocalipse, têm referências que dão respaldo para àqueles cristãos que condenam a liberdade sem Cristo. Estas referências que expus aqui é só "uma gota no oceano".

   Então quer dizer que tenho que viver como um escravo, sem liberdade? Vão vociferar alguns. Não, porque "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma. Os alimentos são para o ventre e o ventre para os alimentos, e Deus destruirá aqueles e este. Mas o corpo não é para fornicação e, sim, para o Senhor, e o Senhor é para o Corpo. Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós pelo seu poder. Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei então os membros de Cristo para fazê-los membros de uma prostituta [ou de um (a) "CRUSH"]? Por certo, não! Não sabeis que aquele que se une a uma prostituta constitui com ela um só corpo? Pois está dito: Serão dois em uma só carne. Ao contrário, aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só espírito [por isso o cristão que comunga da Eucaristia, passa a ter os mesmos poderes que os d'Ele]. Fugi da fornicação [relação sexual fora do matrimônio, mesmo heterossexual]. Todo outro pecado que o homem cometa, é exterior ao seu corpo; aquele, porém, que se entrega à fornicação, peca contra o próprio corpo! Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que está em vós e que recebestes de Deus? ...e que, portanto, não pertenceis a vós mesmos? Alguém pagou alto preço [MORTE VIOLENTA DE CRUZ] pelo vosso resgate; glorificai, portanto a Deus em vosso corpo" (1 Coríntios 6, 12-19).

   Ora, com meu pífio conhecimento de filosofia e teologia, decerto posso dizer: sem penitência não há salvação de alma! Muito menos uma morte tranquila. Por isso, todos os dias rezo pela conversão daqueles que me são caro, peço a Deus que os proteja. Dou graças a Ele por me ouvir (apesar de indigno), proteger e ter protegido os meus das garras de Satanás. Creio que em nenhuma circunstância o "Sujismundo" levará os meus pro Inferno!

   Deixo 'pra' vocês uma das armas mais poderosas da Igreja Católica para pedir por si e, pelos seus, a oração Ánima Christi:

Anima Christi, sanctífica me.

Corpus Christi, salva me.

Sanguis Christi, inebria me.

Aqua láteris Christi, lava me.

Pássio Christi, confórta me.

O bone Iesu, exáudi me.

Intra tua vulnera abscónde me.

Ne permíttas me sepári a te.

Ab hoste malígno defénde me.

In hora mortis meae voca me.

Et iube me veníre ad te, ut cum Sanctis tuis laudem te in sáecula saeculórum.

Ámen.

Em português:

Alma de Cristo

Alma de Cristo, santificai-me.

Corpo de Cristo, salvai-me.

Sangue de Cristo, inebriai-me.

Água do lado de Cristo, lavai-me.

Paixão de Cristo, confortai-me.

Ó bom Jesus, ouvi-me.

Dentro de Vossas chagas, escondei-me.

Não permitais que me separe de Vós.

Do espírito maligno, defendei-me.

Na hora da minha morte, chamai-me.

E mandai-me ir para Vós, para que Vos louve com os vossos Santos, por todos os séculos dos séculos.

Amém.

Acesse meu blog Mors Obitu. Que Deus te abençoe,

Pax.


A divindade escondida nos homens justos

"As almas de todos os homens são imortais, mas as almas dos justos são imortais e divinas" (Sócrates).

   Na constituição pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança), afirma que há uma semente divina no homem, logo o homem precisa fazer essa semente germinar.

Existe na mitologia hindu que conta, numa época imemorial, que todos os homens da terra eram deuses, mas os homens pecaram e abusaram tanto do Divino que Brahma, o deus de todos os deuses, decidiu que a divindade fosse retirada dos homens e escondida em algum lugar onde jamais fosse encontrada.

   Um dos deuses disse: "Então vamos enterrá-la profundamente na terra".
Brahma replicou: "Não o homem pode escavar a terra até encontrá-lo".
Outro deus disse: "Então, vamos jogá-lo no oceano mais profundo".
Brahma não concordou: "Não, o homem aprenderá a mergulhar e um dia vai encontrá-la".
Um terceiro deus sugeriu: "Por que não escondê-la na montanha mais alta?"
Brahma então disse: "Não, o homem pode escalá-la. Tenho um lugar melhor. Vamos escondê-la no interior do próprio homem. Ele nunca vai pensar em procurá-la lá".

   A Cristologia (parte da teologia cristã) ensina que, Jesus sendo divino se fez homem, para que os homens se tornassem divinos. No Céu só entrará quem for divino, e para ser divino é preciso ser santo como Deus. 
Ora, Jesus Cristo disse: "Portanto, deveis ser perfeitos [santos] como vosso Pai [Iahweh] celeste é perfeito [Santo]" (São Mateus 5,48). E, só se alcança essa perfeição, através da Espiritualidade Católica que estar na Igreja fundada por Jesus (São Mateus 16,18-19), Igreja esta que é a "...Igreja do Deus vivo: coluna e sustentáculo da verdade" (I Timóteo 3,15).

   Portanto irmãos e irmãs, temos que a cada dia buscarmos essa perfeição cristã, caso contrário ninguém verá o Senhor (Hebreus 12,14). Desejo a todos vocês o mesmo que São Pedro (o primeiro papa) desejou: "...que raie o dia e surja a Estrela D'alva em nossos corações" (II São Pedro 1,19). Pax,

Como você é protestante e herege!

Caetano Veloso exortando um herege protestante quando o mesmo fala heresias. Narração de Douglas Santos: https://goo.gl/WQBkHr


Filme da linha do tempo

Neste vídeo você verá um pouco da minha linha do tempo no Facebook. Clique em "Gostei" e inscreva-se no canal. Siga-me os bons! E, lembre-se: #NãoSejaMau.

Estamos de volta!

   Prezados irmãos e irmãs, estamos de volta!

   É com muita alegria que restauro este blog, pois depois de eu ter o excluído com todas as postagens há alguns meses atrás, hoje (28/01/2012), dia do meu aniversário (31 anos), a Igreja Católica celebrando o dia de Santo Tomás de Aquino, resolvi restaurá-lo (mas infelizmente sem as antigas postagens, para evitar as polêmicas que as mesmas vinham causando).

Após ler a "Carta Encíclica Fides Et Ratio" do Beato João Paulo II, achei que se fazia necessário voltar e oferecer este blog a este santo que hoje a Igreja celebra.

   Ora, o Beato João Paulo II escreveu nessa encíclica:
"A FÉ E A RAZÃO (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio" (cf. Ex 33, 18; Sal 2726, 8-9; 6362, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2). 

   É com este pensamento do Beato João Paulo II que quero conduzir este blog. Em breve vocês terão muitas novidades! Os artigos serão inscritos numa linguagem coloquial.

   Desde já agradeço a todos que lêem e aos que vão passar a ler meus artigos. Que Santo Tomás de Aquino rogue para que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ilumine com a sua divina Luz e nos conceda Sua Sabedoria. Pax,

Como e quando surgiu o Catolicismo?

Os protestantes usam uma falsa expressão de que Constantino oficializou o Catolicismo em 313. Isto não é verdade, pois a palavra Católica, que quer dizer Universal aparece no século I nos escritos de Santo Inácio de Antioquia.

A indulgência plenária é um gesto que tem sabor de eternidade

Um pedacinho de divino enxertado na terra. No fundo, basta pouco para escancarar o escrínio dos “bens espirituais e sobrenaturais” que co...